Família tenta encontrar cadáver que desapareceu em cemitério

O montador de andaimes Ronei Ambelino, de 44 anos, pode dizer que sentiu duas vezes a dor de perder a mãe. Há um ano e meio, dona Maria da Glória Ambelino faleceu após um enfarte. Foi sepultada em uma gaveta do Cemitério de Itambi, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. No último sábado, Ronei voltou ao cemitério para enterrar o pai, Sebastião, e aproveitou para visitar o túmulo da mãe. Mas quando chegou à gaveta onde o caixão havia sido colocado, o homem teve uma surpresa nada agradável: na placa de identificação, constava o nome de outra pessoa, e até agora ninguém sabe onde foi parar o corpo de dona Maria.

Sem entender a situação, o montador procurou a OAF Assistencial, empresa responsável pelo plano de assistência funerária da família, que confirmou o número da gaveta onde dona Maria havia sido sepultada. Com a informação em mãos, Ronei se dirigiu à Funerária Municipal, órgão da Prefeitura de Itaboraí que administra os cemitérios da cidade. Lá, ele foi informado de que o nome de sua mãe não consta sequer no livro de sepultamentos da prefeitura, revela o Extra.

– De acordo com o registro deles, tem outra pessoa enterrada naquela gaveta. Procuraram no livro e não conseguiram nem localizar o nome da minha mãe. O corpo simplesmente sumiu – conta.

O montador acredita que os restos mortais de dona Maria podem ter sido removidos pelo cemitério para reaproveitar a gaveta. Mas, de acordo com a lei municipal 1.832/2003, cadáveres só podem ser exumados três anos após o sepultamento. Antes desse prazo, os corpos só podem ser retirados do túmulo em caso de decisão judicial, quando a exumação for necessária para investigações criminais, por exemplo.

Ronei chegou a ir duas vezes à 71ª DP (Itaboraí), mas não conseguiu registrar o boletim de ocorrência. Os agentes informaram que, para isso, ele precisaria de um documento da prefeitura constatando que o cadáver na gaveta de sua mãe é de outra pessoa. No entanto, a Funerária Municipal diz que não pode dar o papel. Enquanto tenta obter respostas, o rapaz precisa lidar com a dor da perda recente do pai e a angústia de não saber o que aconteceu com o corpo da mãe:

– É revoltante. A gente não tem nem o direito de descansar em paz depois de morto. É um constrangimento muito grande – desabafou ele, acrescentando que vai processar o município.

Procurada, a Prefeitura de Itaboraí, responsável pelo cemitério, afirmou que abrirá uma sindicância para apurar o caso. Já a Polícia Civil afirmou que o caso está sendo apurado pela 71ª DP (Itaboraí).

Outro caso em 2017

Não é a primeira vez que restos mortais desaparecem em cemitérios de Itaboraí. Em 2017, familiares voltaram ao Cemitério Municipal São João Batista para exumar os restos mortais de Creusa Gomes da Costa, morta em agosto de 2014, mas descobriram que o corpo da idosa tinha sido removido menos de três meses depois de ser enterrado. Na mesma gaveta, outra mulher havia sido sepultada em novembro do mesmo ano.

Em 2010, um caso semelhante aconteceu no mesmo cemitério. A família de Luis Antonio Gonçalves Souza, morto em 2007, voltou ao São João Batista para exumar o corpo do homem, mas, no caixão, estavam os restos mortais de uma mulher não identificada.

06/02/2019

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